Trocarei os nomes das pessoas dessa história, a fim de manter o sigilo sob suas peripécias.
Quando namorei Mafalda, passamos um tempo no Rio, justamente na época em que sua mãe namorava um carioca, Pedro.
Ele era um cara interessante, excêntrico, inteligente, poliglota, desprovido de higiene, porco.
Um cara muito legal.
Freqüentava a mesma roda social de Ney Matogrosso, Frejat, família Medina dentre outros.
Bem relacionado.
Músico.
Grande empresário no passado, diretor de banco, publicitário, dono de imóveis no Rio de Janeiro,um bom vivant de respeito.
Apreciador de vinhos, conhecedor de culturas mundiais, arte, música, alta gastronomia e cachorros.
Um digno lord, para a belíssima Neusa, mãe de Mafalda.
Fumava maços intermináveis de cigarro por dia, e tinha em casa, algo em torno de 20 cachorros, todos bem acomodados dentro de casa, em sua cama, cozinha e banheiro, um festival de pelos, latidos e cheiro de cachorro.
Pois bem, estávamos no Rio, e fomos os três,Pedro, eu e Mafalda dar uma volta no Jardim Botânico.
Quando chegou para nos buscar, nos surpreendeu com uma Saveiro velha caindo aos pedaços, suja por fora, pneu careca, retrovisor trincado, lataria amassada, uma lata velha.
“ È pra levar a cachorrada”, justificou o nobre anfitrião.
Entramos
Eu, numa boa
Mafalda preferia estar no inferno, quase vomitou no meu colo.
Se isso acontecesse, definitivamente o cheiro de cigarro e cachorro prevaleceria.
Nunca na minha vida vi um cinzeiro tão abarrotado como aquele, devia ter ali umas 1.678.456 bitucas de cigarro, chutando baixo.
Pelo de cachorro, nem arrisquei contar, muito menos comentar o assunto.
Aquilo parecia o lixão de Cidade das Flores, bizarro.
O papo ia fluindo normalmente, evitamos qualquer demonstração de surpresa sobre o admirável poço de imundice sobre rodas do lord Pedro.
No meio do caminho paramos em um posto para comprar água.Pedro desceu e foi nesse momento que Mafalda soltou o que parecia estar preso há 1.678.456 anos.
ECAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA,
QUE NOJOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
URGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
ME TIRA DESSE CARRO BRUNOOOOOOOOOOOOOOOOOOO.
Calma, não exagera, não ta tão sujo assim.
Ela não respondeu, tava com ânsia de vômito.
Nesse momento, alerta na condição de namorado, a fim de protege-la de algum ataque de urubus ou ratos, avistei uma calcinha vermelha embaixo do banco do motorista.
Verdade
Claro que peguei, e mostrei a Mafalda.
Tratava-se de um mini exemplar vermelho da melhor espécie das calcinhas, só queria imaginar quem esteve dentro daquela demonstração de plenitude sexual.
NÃO ACREDITOOOOOOOOOOOOOO, FILHO DA PUTAAAAAAAAAA, TA TRAINDO MINHA MÂEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE.
Calma, pode ser dela.
Tomei um soco na boca do estômago, quase vomitei.
FIQUE SABENDO QUE MINHA MÃE NÃO USA CALCINHA DE PUTA,E ISSO NÃO CABE NA BUNDA DELA.
Que isso, que preconceito.
Foi minha última frase, Pedro estava de volta, a calcinha não, mudou de lugar, foi parar ao lado do banco do passageiro.
Olá crianças, quem quer água?
NÃO, OBRIGADA, NÃO ESTOU COM SEDE E O BRUNO TAMBEM NÃO.
Mafalda estava brava, certa de que Pedro traíra sua mãe com alguma puta de calcinha vermelha.
Seguimos nosso caminho em direção ao maravilhoso Jardim Botânico.
O cheiro não incomodava mais, o papo não fluía mais, somente a calcinha importava.
Perto do nosso destino, Pedro começou a procurar algo embaixo do banco, a calcinha claro, queria limpar o vidro que o incomodava.
Procurou por alguns segundos, sem sucesso.
Mafalda, com os olhos arregalados dava sinais de desespero, a raiva foi substituída por medo
De ser incriminada como a ladra de calcinhas vermelhas
E eu cúmplice, pensei em confessar na hora.
Ok, ok eu confesso, roubamos a calcinha vermelha.
Mas não foi preciso, Pedro foi direto, sem pudores.
Por acaso vocês viram uma calcinha vermelha que estava aqui embaixo, uso ela para limpar meu vidro.
NÃO
Estranho, tinha certeza que estava aqui.
MAS VOCÊ USA UMA CALCINHA PARA LIMPAR O VIDRO, DE QUEM É A CALCINHA?
Ele não respondeu, pegou uma meia preta e limpou o vidro.
Não tocamos mais no assunto.
Por exatos 5 anos.
No último Natal na casa de Mafalda, não mais como namorado, comentamos o caso com sua mãe, que não achou graça, saiu de fininho em direção ao quarto, direto para o armário e suas respectivas gavetas.
quinta-feira, 12 de março de 2009
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1 comentários:
Esta foi otima!!!!
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